Dentre as várias maneiras de se expressar uma idéia, escrever, pintar, tocar etc., acho que poucas dão espaço para diálogos, hoje temos poucos entre artistas ou especialmente entre o artista e seu público. Em muitos casos essa a não presença de dialogo não age de forma negativa sobre a obra, uma grande obra de arte, um bom texto, uma boa música, é capaz de passar idéias e/ou emoções de maneira clara e impactante. Contudo acredito que essa forma passiva de comunicação esteja em declínio, ou melhor, que uma nova forma esteja nascendo, uma forma interativa, onde será possível dialogo entre artistas e publico.

Hoje temos muitas oportunidades para comunicar nossas idéias, blogs, fórums, flikrs, twitters, youtube, mas quantas dessas oportunidades permitem um verdadeiro dialogo, uma troca de idéias, que não seja uma discussão entre dois pontos de vista extremos e inconciliáveis? Acredito que haja oportunidades, mas que elas não são aproveitadas dada a impessoalidade da Internet.

Nos fórums vemos pessoas defendendo pontos de vista extremos o tempo todo e é raridade aquém que admita um erro, falta de conhecimento ou mesmo uma escorregada, até porque todo e qualquer um desses é respondido com uma enxurrada de respostas com o objetivo de humilhar e deslegitimar a opinião. É de se estranhar que esses comportamentos que são tão raros no mundo real (pelo menos por onde eu ando) sejam a normal quando falamos da Internet. Eu acho que o motivo disso seja a impessoalidade, e o anonimato que existe na web. Quantas vezes você já disse a uma pessoa em uma ocasião social que a opinião dela era burra, ou que ela era retardada e não merecia atenção? Por mais que você tenha se deparado com situações onde tais comentários fosse legítimos, nós não os fazemos, principalmente porque se trata de uma pessoa, e isso a coloca em um pé de igualdade mínima e por isso merece algum respeito. Em um fórum é bem mais fácil relevar o fato que é uma pessoa dizendo algo com que não concordamos e, portanto não precisamos ser cordiais ou minimante respeitoso, esquecemos que estamos falando com uma pessoa, com sentimentos e uma história a qual não conhecemos (que melodramático, não?). Ainda assim julgamos, criticamos, e não procuramos entender.

Qual usarei hoje?

Quem você quer ser hoje?

O anonimato ou os alteregos estabelecidos online são muito peculiares. Autores falam de usar mascaras para vida social (Machado de Assis tem um ótimo conto chamado “O Espelho” que fala sobre isso) e eu me pergunto, na Internet temos o extremo das mascaras, já que não temos que provar nada a ninguém nunca em hipótese alguma e, portanto podemos criar qualquer situação fantasiosa com a nossa pessoa, ou será que é a ausência de mascaras, justamente pelo fato de não estarmos interagindo com pessoas e sim com nomes de usuário podemos mostrar quem somos e a que viemos. Eu espero que seja o primeiro, pois o segundo me assusta.